quinta-feira, 1 de maio de 2014

Rodeios são sinônimos de diversão e protestos


 
Wendell Stahl

Por todo Brasil, os rodeios têm dado o que falar. Ativistas em favor dos animais lutam para que as provas em festas de rodeios sejam extintas. Jovens vão para assistir aos shows de seus ídolos e muitos deles acabam nem vendo as competições do evento, pela falta de interesse. Peões dizem que os bovinos e equinos são bem tratados durante o rodeio, porém os ativistas não concordam.
 

Setembro é o mês mais aguardado entre os foliões limeirenses desde 1983, mês em que a cidade o Rodeio de Limeira, também conhecido como Festa do Peão. O evento atrai peões de vários lugares em busca de vitórias, recordes e prêmios. Atrai também jovens baladeiros que querem festejar e curtir a noite regrada a bebidas alcoólicas. E não é só de diversão que a festa é composta. Há também os ativistas que lutam para o fim da presença de animais nesse competitivo esporte, que se originou no México e se popularizou na Espanha.

Um projeto de lei do deputado federal Ricardo Trípoli, do PSDB, proíbe a perseguição a animais em provas de rodeios. Segundo o texto apresentado ao Plenário da Câmara Federal, considera-se infrator o responsável pela licença, ou alvará, que autorizou a realização do evento em que foram executadas as práticas contra os animais. A multa poderá atingir o valor de trinta mil reais e, em caso de reincidência, poderá ser aplicado o dobro desse valor. Tripoli cita fato recente ocorrido na 56ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos. Durante prova denominada “bulldogging”, perseguição na arena seguida de derrubada, um garrote teve de ser morto em virtude da paralisia permanente provocada pelo peão que lhe quebrou a coluna vertebral.

 

A elaboração do projeto de lei contou com a colaboração da União Internacional Protetora dos Animais (Uipa), entidade centenária, afiliada à WSPA-Brasil. A Uipa já encabeçou importantes processos judiciais e representações no Ministério Público da União e do Estado de São Paulo contra os maus tratos aos animais.

O peão Dirceu Domingues diz que raramente vê animais sendo maltratados e que ele mesmo nunca precisou agredir um bovino, pois eles são adestrados durante seu desenvolvimento.

Já a ativista Lua Maria diz que é totalmente a favor do projeto do deputado federal, e ainda diz que não adianta negar que os animais não são mal tratados, pois segundo ela, os ativistas têm todas as provas necessárias para provar o contrário.


Um dos organizadores do Rodeio de Limeira, que preferiu não ser identificado, se defende dizendo que, no evento sediado na cidade, não ocorre nenhuma violência física aos animais, e que os peões são sempre vigiados por autoridades.

Muitos jovens entrevistados revelam que vão ao evento para assistir aos consagrados shows de cantores sertanejos, que faturam milhões de reais neste tipo de evento, por serem a atração principal da festa. Eles são seguidos por uma multidão. Apenas em 2012, cerca de 160 mil pessoas participaram da festa do peão de Limeira.

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