Sociedade que luta
para manter parâmetros de beleza de um mundo irreal, conquistas por meio de cirurgias
plásticas
Magreza, pernas longas, tronco longilíneo,
cabelos lisos, seios grandes, barriga chapada e assim se vão todas as leis naturais
da vida por um corpo “perfeito”. A sociedade vem passando por mudanças
dramáticas e drásticas para gerar um padrão de beleza que se insira no mundo
atual.
Adolescentes que ainda passam por mudanças naturais
da puberdade já caminham no corredor de clínicas de estética. Essa cultura de
aderir à cirurgia plástica aproximou as gerações, e os procedimentos cirúrgicos
não estão mais ligados à idade: as filhas de 14 e 15 anos, influenciadas pelo mundo da moda e pela
mídia, estão obcecadas pela valorização das curvas perfeitas.
"As pessoas
passaram a enxergar o corpo hoje como uma coisa moldável, conforme certos
padrões estéticos, fomentados por uma pressão social de classe. Nesse sentido,
o físico, os sentidos e a alma são massificados por conta dessa ditadura de
idealização da beleza", explica o psicólogo Fernando de Almeida Silva.
"Com essa transformação do corpo em coisa, o próprio indivíduo se reduziu
a um objeto, que só possui valor como ostentação dentro dos padrões
preestabelecidos".
De acordo com a
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o número de cirurgias plásticas em
adolescentes entre 14 e 18 anos mais do que dobrou em quatro anos – saltou de
37.740 procedimentos em 2008 para 91.100 em 2012 (141% a mais), segundo dados
da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
Os estereótipos
criam reflexos capazes de fazer com que as meninas cresçam “fora do padrão” e
se tornem vítimas da exclusão do mercado da beleza. “A minha primeira cirurgia
foi aos 15 anos, fiz porque não conseguia mais ter convívio social, nem
auto-estima pois achava meu nariz feio. Sou modelo profissional, mas ainda me
sinto, e muito, excluída dos padrões , que, na minha opinião, não deveriam
existir, mas quem produz isso não é somente a mídia, somos nós quando achamos
que a próxima está gordinha quando ela está no peso ideal. É algo que existe
sem percebemos e que faz com que desejemos um corpo irreal, que só existe com a
ajuda de remédios, drogas e anabolizantes. Infelizmente essa é a realidade”, desabafa
Júlia Dias 21, modelo.
O mundo feminino
é abastecido por capas de revistas com mulheres magérrimas, dicas de dietas
milagrosas e, com o crescente uso da Internet, faz com que mais cedo adolescente
busquem cirurgia plástica. De acordo com um cirurgião plástico que prefere não
se identificar, antes do corpo se transformar e amadurecer as adolescentes vão
até a clínica, buscando por um estereótipo magro e, algumas vezes, levam fotos
de modelos ou atrizes, como se fosse uma forma a ser moldada. “Na maioria dos
casos, já sou médico da māe e a mesma leva as filhas adolescentes para mudanças
estéticas, em primeiro lugar estão os implantes mamários, em segundo
lipoaspiração e em terceiro lugar a rinoplastia. Tenho
pacientes jovens que preferem uma cirurgia em vez de uma festa de 15 anos. É um
exagero”, avalia o cirurgião.
Cirurgia
plástica-






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