quinta-feira, 1 de maio de 2014

A geração de idolatria ao corpo perfeito



Sociedade que luta para manter parâmetros de beleza de um mundo irreal, conquistas por meio de cirurgias plásticas

 
Tatiane Medeiros


Magreza, pernas longas, tronco longilíneo, cabelos lisos, seios grandes, barriga chapada e assim se vão todas as leis naturais da vida por um corpo “perfeito”. A sociedade vem passando por mudanças dramáticas e drásticas para gerar um padrão de beleza que se insira no mundo atual.

 

Adolescentes que ainda passam por mudanças naturais da puberdade já caminham no corredor de clínicas de estética. Essa cultura de aderir à cirurgia plástica aproximou as gerações, e os procedimentos cirúrgicos não estão mais ligados à idade: as filhas de 14  e 15 anos, influenciadas pelo mundo da moda e pela mídia, estão obcecadas pela valorização das curvas perfeitas.

 

"As pessoas passaram a enxergar o corpo hoje como uma coisa moldável, conforme certos padrões estéticos, fomentados por uma pressão social de classe. Nesse sentido, o físico, os sentidos e a alma são massificados por conta dessa ditadura de idealização da beleza", explica o psicólogo Fernando de Almeida Silva. "Com essa transformação do corpo em coisa, o próprio indivíduo se reduziu a um objeto, que só possui valor como ostentação dentro dos padrões preestabelecidos".

 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o número de cirurgias plásticas em adolescentes entre 14 e 18 anos mais do que dobrou em quatro anos – saltou de 37.740 procedimentos em 2008 para 91.100 em 2012 (141% a mais), segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

 

Os estereótipos criam reflexos capazes de fazer com que as meninas cresçam “fora do padrão” e se tornem vítimas da exclusão do mercado da beleza. “A minha primeira cirurgia foi aos 15 anos, fiz porque não conseguia mais ter convívio social, nem auto-estima pois achava meu nariz feio. Sou modelo profissional, mas ainda me sinto, e muito, excluída dos padrões , que, na minha opinião, não deveriam existir, mas quem produz isso não é somente a mídia, somos nós quando achamos que a próxima está gordinha quando ela está no peso ideal. É algo que existe sem percebemos e que faz com que desejemos um corpo irreal, que só existe com a ajuda de remédios, drogas e anabolizantes. Infelizmente essa é a realidade”, desabafa Júlia Dias 21, modelo.

 

O mundo feminino é abastecido por capas de revistas com mulheres magérrimas, dicas de dietas milagrosas e, com o crescente uso da Internet, faz com que mais cedo adolescente busquem cirurgia plástica. De acordo com um cirurgião plástico que prefere não se identificar, antes do corpo se transformar e amadurecer as adolescentes vão até a clínica, buscando por um estereótipo magro e, algumas vezes, levam fotos de modelos ou atrizes, como se fosse uma forma a ser moldada. “Na maioria dos casos, já sou médico da māe e a mesma leva as filhas adolescentes para mudanças estéticas, em primeiro lugar estão os implantes mamários, em segundo lipoaspiração e em terceiro lugar a rinoplastia. Tenho pacientes jovens que preferem uma cirurgia em vez de uma festa de 15 anos. É um exagero”, avalia o cirurgião.

 

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