quinta-feira, 1 de maio de 2014

Multifuncionalidade e disputas entre gerações afetam saúde dos profissionais do Jornalismo


 

Pesquisa realizada em São Paulo e Rio de Janeiro identifica problemas enfrentados no jornalismo

Daniela Cason

 

Divulgada no mês de setembro passado, pela Folha de S. Paulo, as estatísticas realizadas pelo site adzuna.com.br, de busca de emprego, apontam que o jornalismo está entre as piores profissões. Nesse campo, diversas pesquisas são feitas para comprovar as dificuldades enfrentadas pelos profissionais da área. Problemas com não exigência do diploma, remuneração baixa, longas e cansativas horas de trabalho contribuem para atestar essa realidade.

Desde 2009, o Supremo Tribunal Federal descartou a exigência do diploma de jornalismo, no Brasil. Porém, em setembro passado, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) aprovou uma proposta de emenda  à Constituição que estabelece a exigência do diploma.

Em tramitação, o planejamento ainda será analisado por uma comissão especial, antes de ir para o Plenário da Câmara.

Atentar-se quanto a esses dilemas que são de primeira instância é de extrema urgência. O jornalismo, que tem como princípio contribuir com a sociedade, é menosprezado por ela. Em São Paulo e no Rio, 93% dos jornalistas não são registrados em carteira.

Segundo o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul,  o psicólogo, professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Roberto Heloani, explica que devido às contrariedades enraizadas no cotidiano do jornalismo, os problemas de ordem cardiovasculares são muito frequentes, além da sistemática dependência química.

De acordo com Heloani, essa situação começa com o atual contexto dos ambientes das  empresas de comunicação, que tendem a contratar profissionais mais jovens, provocando disputas acirradas entre as gerações.

Suas pesquisas resumem fatores como a multifuncionalidade desses jovens que se prontificam a realizar diversas tarefas “tecnológicas”, despolitização completa  e  falta de bagagem  necessária para a realização do jornalismo mais investigativo, o que descaracteriza uma atividade agora ainda mais aviltada.

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